São tênues os fios de luz que atravessam a vidraça.
Olho a madrugada e vejo a vida tentando renascer,
rompendo a noite nas brumas de um tempo morto.
Sou prisioneira de mim quando procuro uma verdade longínqua
entre a névoa da minha insensatez e a claridade
que me surpreende a cada amanhecer.
Quero sepultar os medos e as incoerências nesse solo frio da minha incredulidade.
O amanhã se faz presente em cada esperança.
O ontem é uma paisagem desértica nas pegadas do passado.
Como reverter toda essa angústia,
todo esse estigma que aniquila minha emoção
e deixa vestígios de um silêncio efêmero e sutil?
Como debelar essa saudade que me sufoca submergindo lembranças num mar de desespero?Olho a franja larga das ondas sobre a areia
e busco a minha paz no inconformado
e estranho personagem de ficções e mentiras
que habita meus sonhos.
Encontro em mim, apenas essa sombra escondida.

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